quinta-feira, 17 de julho de 2008

Lembrança difícil de esquecer...



Não gosto muito de ficar falando sobre noticias tristes. No entanto, o dia 17 de julho de 2007 - exatamente um ano atrás - ficou marcado na minha memória como um dos dias mais cinzas da minha vida.
Recordo claramente daquele final de tarde no bairro de São Judas, Zona Sul de São Paulo, onde tinha acabado de assinar a rescisão contratual de meu último emprego. Caminhava pela Avenida Jabaquara feliz da vida, afinal tinha mudado de um emprego que detestava e ia para outro que prometia ser bem melhor. Subitamente, dezenas de ambulâncias começaram a cruzar alucinadamente a avenida dirigindo-se em direção ao aeroporto de São Paulo. Obviamente, naquele momento não poderia prever a grande catástrofe que havia ocorrido, mas sabendo do país que vivo e a negligência constante de nossas autoridades, percebo que fui bastante ingênuo naquele momento de não ter pressuposto que algo havia se passado na cabeceira do Aeroporto de Congonhas em São Paulo.
Confesso que fiquei arrasado por aquelas pessoas, pelas imagens da funcionária da TAM presa numa marquise entre as chamas do avião, sem nada que pudesse fazer. É terrível a sensação de que não podemos fazer nada para ajudar, ainda mais quando se trata de um momento de grande desespero. Quem dera super heróis existissem.
Passado um ano completo da tragédia, o que se vê no local é um grande espaço vazio, cercado por tapumes azuis com estrelas brancas. Na verdade, nem sei o que deveria ser erguido ali naquele lugar. Um monumento às vitimas? Quem sabe. Mas acho que as vítimas, merecem algo melhor, merecem que todas as suas famílias sejam reparadas justamente, pois não existe nada mais cruel do que a perda de alguém querido de uma hora para outra. É uma dor enorme, que nem mesmo a maior das indenizações pode pagar. Mas a TAM tem que pagar e pagar muito caro por isso. Para largar a mão de ser negligente e irresponsável com a vida de 199 pessoas. Às famílias dessas pessoas, presto aqui minha solidariedade e digo a vocês: Não descansem nunca, atormentem, tirem o máximo que puderem desta empresa.
Lembro que duas semanas depois estava eu num avião da Gol, embarcando justamente de Congonhas para Porto Alegre. Foi um sentimento estranho, recordo que antes do embarque, para chegar ao aeroporto tive que caminhar pela Avenida Washington Luis (eram 19:30 da noite), na época interditada em frente ao acidente com meu colega Fezinho Mungioli e não falávamos absolutamente nada. Literalmente não conseguíamos falar. Não existiam palavras para expressar a tristeza que tomava conta de nós dois naquele momento.
Como não poderia deixar em branco, deixo aqui meu total repúdio ao Governo Federal e seus órgão reguladores e/ou gestores. No dia seguinte, milheres de alternativas foram apresentadas pelos Ministros Jobim e Dilma Russef e pelo pateta-mor da República, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Terceiro aeroporto, nova pista em Cumbica, desafogamento do tráfego aéreo em Congonhas nada disso foi feito, quem anda bastante de avião como eu, sabe que o aeroporto de Congonhas está tão congestionado como antes. Apenas a espera de mais uma catástrofe. Aí, como sempre, o pateta-mor vai dizer que não sabia de nada. E pior, vai ter mais gente que acredita nele e eu como fico nessa história?? Bem, eu posso ser mais um dos próximos 199.

Nenhum comentário: